Para “inovar” é preciso saber “abandonar”

Por que o Google “abandonou” o Inbox e o Google Reader?

Drucker responderia essa pergunta dizendo:

Questionar com regularidade a preservação em si de todos os programas e atividades, descartando os que não forem capazes de comprovar sua produtividade, faz maravilhas ao estimular a criatividade, mesmo nas organizações mais empedernidas – Peter Drucker

É fato que sempre haverá mais boas ideias do que gente, energia e dinheiro para coloca-las em prática.

Muitos de nossos clientes buscam apoio para “disparar” novos negócios. Entretanto, com frequência, identificamos um bocado de ânimo, mas, também, escassez de recursos. A dura realidade é que em uma competição natural entre a inovação e a rotina, geralmente, a rotina é vencedora. Projetos inovadores acabam servindo como bolsões de recursos para os dragões dos negócios legados.

Para que as empresas tenham capacidade de inovar, precisam ter condições de abandonar negócios “cansados”.

Não se pode jogar tudo fora, sob pena de se promover a anarquia. Também não se pode preservar tudo, pois isso significa a morte. – Peter Drucker

Elizabeth Haaz compartilha em seu ótimo livro “A Essência de Peter Drucker – Uma visão para o futuro“, uma metáfora indigesta que ele costumava utilizar. Segundo Drucker, há um velho provérbio médico que diz que não há nada mais dispendioso nem mais difícil do que evitar mal cheiro de cadáveres. Na mesma linha, a maioria das empresas gasta tempo, energia e recursos preciosos para evitar a putrefação de seus defuntos, ou seja, seus velhos produtos. Por estes ainda gerarem alguma receita, a maioria dos executivos nem mesmo se dá conta do fedor de seus cadáveres.

A General Eletric, comandada por Jack Welch, talvez tenha sido a empresa que levou mais a sério as recomendações de Drucker. A empresa tinha a política de ser a #1 ou #2 em todos os negócios que participava, caso contrário, se desfazia, vendendo ou fechando, o tal negócio. Welch ficou reconhecido como um dos maiores CEOs de todos os tempos, deixando a GE extremamente rentável e leve (para os padrões de empresas desse porte)

Se não estivesse nesse negócio hoje, você investiria recursos para entrar nele? Será que as pessoas realizadoras de sua organização estão trabalhando em oportunidades inovadoras? Ou estão trabalhando com problemas de ontem e com produtos do passado? – Peter Drucker

Quando o Google “abandonou” o Reader e o Inbox, estava abandonando dois negócios que, nos critérios da empresa, não foram capazes de demonstrar sua produtividade. A empresa optou por alocar seus ótimos recursos em negócios novos, buscando mudar a expectativa dos clientes. O Google sabe que precisa saber “abandonar” para poder “inovar”.

Elemar Júnior

Microsoft Regional Director e Microsoft MVP. Atua, há mais de duas décadas, desenvolvendo software e negócios digitais de classe mundial. Teve o privilégio de ajudar a mudar a forma como o Brasil vende, projeta e produz móveis através de software. Hoje, seus interesses técnicos são arquiteturas escaláveis. bancos de dados e ferramentas de integração. Além disso, é fascinado por estratégia e organizações exponenciais.

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