Transformação digital fica bem mais difícil quando remuneramos o amadorismo

Transformação digital, ou, como preferimos, transformação de negócios através de recursos digitais é tema importante na agenda de todo executivo.

Há uma pluralidade de oportunidades urgentes que podem e precisam transformar a forma como nossas empresas se relacionam com clientes, fornecedores, parceiros e colaboradores. A tecnologia veio para melhorar o resultado das organizações e está fazendo isso quando bem aplicada.

Tecnologia é competência básica para todas as organizações modernas! Por isso mesmo, é importante entender que a transformação digital fica bem mais difícil quando optamos por remunerar o amadorismo.

NOTA: Remunerar o amadorismo pode soar “agressivo em demasia”. Talvez seja mesmo! Entretanto, estou optando por “rótulos agudos” para destacar aspectos que precisamos trabalhar para evitar prejuízos e, quem sabe, potencializar receitas.

Sites que não suportam uma escalada prevista de demanda (como ocorre na black friday); Aplicativos de companhias áreas que não conseguem concluir um check-in e não informam o usuário sobre o que há de errado; Aplicativos bancários que apresentam dados inconsistentes (um de nossos bancos, todos os meses, indica falha para fazer um TED quando este ocorre com sucesso [houve um caso em que fizemos dois TEDs e tivemos que contar com a boa vontade do beneficiário para reaver nosso dinheiro]); Centrais de atendimento que não conseguem dar um bom atendimento porque o “sistema está lento”; Restaurantes que não conseguem “fechar a conta” porque o sistema parou de funcionar (presenciamos isso duas vezes, em dois restaurantes diferentes, em apenas um dia); Aplicativos para gestão de contrato da companhia telefônica que não consegue mostrar meu saldo devedor, nem gerar um boleto para pagamento (obrigando o cliente a contatar o suporte todos os meses). Todos esses são casos notórios de amadorismo remunerado atrasando processos de transformação digital.

A maior parte dos problemas relatados no parágrafo anterior seria evitada observando alguns fundamentos técnicos de desenvolvimento. Fundamentos esses que estão no currículo dos semestres iniciais de quase todo curso de graduação (e que podem ser aprendidos fora da faculdade também). Entretanto, parece que, rotineiramente, os times técnicos tem ignorado esses fundamentos.

Em um post recente, direcionado ao público técnico, provocamos o porquê de tanta displiscência – questionamos o fato de estarmos nos comportando como “amadores remunerados”. As respostas que obtivemos, em boa amostragem, envolvem a liderança nas organizações.

Liderar é bater metas, com o time, fazendo o certo – Vicente Falconi

Houve quem disse que as pessoas não observam fundamentos técnicos porque as empreas brasileiras não valorizam isso (vedade, afinal, o mercado regula o mercado). Isso é muito grave! De qualquer forma, não nos surprende.

Como líderes, queremos atingir resultados. Como gestores, nossa responsabilidade é resolver problemas. Ter um time técnico que não observa princípios básicos é um problema urgente que precisa ser resolvido. A resolução desse problema é responsabilidade intransferível da gestão (pode ser compartilhada, mas, jamais transferida).

Sabemos que contratar gente não é fácil (e ficará mais difícil). Entretanto, a dificuldade para contratar é um problema para a gestão que não pode ser ignorado. Afinal, o incompetente motivado tem potencial para quebrar uma empresa.

Todos os times precisam saber se estão ou não fazendo um bom trabalho. Isso se consegue com metas claras! Não podemos ignorar que as pessoas vão quase sempre entregar aquilo em que são medidas. Se as metas não envolverem qualidade, os times não vão entregar qualidade.

Desenvolvimento de software é uma disciplina jovem. Entretanto, é uma disciplina já bem evoluída. Não precisamos, nem devemos, queimar recursos com falhas que não precisariam acontecer.

O amadorismo dos times de tecnologia não pode mais ficar amparado no amadorismo da gestão.

Precisamos de gestores competentes que estabeleçam metas e planos de ação que realmente atendam os objetivos do negócio. Tecnologia é aspecto importante e passou da hora de deixar de ser vista como centro de custo. Em tempos de organizações exponenciais, desenvolva seu time técnico ou corra o risco de ser “engolido” por um concorrente mais competente.

2 Comentários
  1. Antonio Maniero

    Temos conta no mesmo banco 🙂 E nem vou falar porque acontece isso já que sempre tem fãs da tecnologia/metodologia adotada que sentem-se ofendidos juntos 🙂 É importante mesmo falar do círculo vicioso que se cria desta forma, e só os gestores tem poder de quebrar. Pena, não vai acontecer, mas cada um faz sua parte pra tentar mudar aqui e ali. Não adianta falar para os convertidos ou para os convictos do contrário. Espero que vários que estão formando opinião usem este artigo junto com outras informações para tomar melhores decisões.

    1. Elemar Júnior

      Vai acontecer, sim. É fundamento para o progresso das organizações.

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