Cicatrizes

Como aprendi a sempre tentar ser melhor

Sei que sou privilegiado. Tive a honra de ajudar a escrever software que mudou a forma como o Brasil vende, projeta, produz e entrega móveis. Também tenho a honra de escrever código com gente que realmente sabe o que faz. Há alguns anos, estou ajudando empresas, de todos os portes, a transformarem seus negócios através de recursos digitais. Mas, no caminho houveram desafios.

Janeiro de 2000. Eu, na época com apenas 20 anos, descobri que seria pai.

Obviamente, seria difícil de acreditar se eu afirmasse que minha paternidade precoce foi planejada. Afinal, quem faz planos de verdade tendo apenas 20 anos?

Nos meus 20 anos, eu era um jovem idealista e sonhador que queria mudar o mundo com software. Já tinha emprego em uma pequena empresa que também sonhava grande. Não era bem remunerado. Não tinha casa própria, nem economias. Morava em uma cidade distante de minha família. Era um f0d1d#! A mãe do meu filho também!

Ser pai aos 20 anos não foi fácil. Mas, foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida.

Ser pai aos 20 anos me ensinou rapidamente a importância de aceitar críticas. Me aceitou a não ser imediatista. Ser pai aos 20 anos me ensinou a “engolir sapos” no trabalho (afinal, não poderia ficar sem emprego). Me ensinou a superar os “sapos” para fazer mais e melhor!

Ser pai aos 20 anos me ensinou que chegar com o melhor presente em casa tem pouco valor. Principalmente quando as chances são grandes de seu filho se empolgar mais com o embrulho do que com o brinquedo. Isso me ensinou que o valor que eu entrego nem sempre está naquilo em que espero, mas em outras coisas.

Aliás, ser pai aos 20 anos me ensinou que seria fundamental que eu SEMPRE entregasse valor. Lembro-me de ter trocado meses da minha vida escrevendo um manual de utilização (quando as empresas ainda escreviam esse tipo de coisa) para o produto que ajudava a desenvolver em troca de um berço. Escrever aquele manual me mostrou que poderia contribuir com a vida das pessoas escrevendo.

Ser pai aos 20 anos me ensinou que, as vezes, ser o melhor não é necessário. Você apenas precisa ser! Ser… todos os dias, de forma consistente e persistente.

Ser pai aos 20 anos me ensinou, na empresa, a nunca mais dizer “eu”. De uma hora para outro, em tudo que fazia, passei a falar em “nós”. Na maioria das vezes, no início, esse “nós” não fazia referência a minha família. Na maioria das vezes, meu “nós” era meu filho e eu. É sempre bom lembrar que nem a finalidade, nem a execução do nosso trabalho valem a pena para exércitos de um homem só.

É como no episódio dos Simpsons, em que Homer (há quem perceba semelhanças físicas entre nós) descobriu que seria pai pela terceira vez. Nesse episódio, Homer desiste de alguns “sonhos” para ser explorado na usina; Burns (o chefe) prega um quadro na parede dizendo que ele estaria “preso” na empresa para sempre; Homer via as coisas de uma forma bem diferente!

Como disse no início, sei que sou privilegiado. Ajudei a escrever software que deixa as casas das pessoas mais bonitas. Escrevo código com gente de todos os cantos do mundo. Tenho participado de iniciativas que estão impulsionando progresso em tempos de crise. Entretanto, dentre todas as coisas, sou privilegiado por ser pai, desde que tinha 20 anos.

 

Elemar Júnior

Microsoft Regional Director e Microsoft MVP. Atua, há mais de duas décadas, desenvolvendo software e negócios digitais de classe mundial. Teve o privilégio de ajudar a mudar a forma como o Brasil vende, projeta e produz móveis através de software. Hoje, seus interesses técnicos são arquiteturas escaláveis. bancos de dados e ferramentas de integração. Além disso, é fascinado por estratégia e organizações exponenciais.

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3 Comentários
  1. Francisco

    Muito banana seu post, para quem é pai toca no coração!

  2. WELLINGTON LUIZ DO NASCIMENTO

    Obrigado, lendo seu relato pude ver como me tornar um pai melhor

  3. Gabriel

    Obrigado por compartilhar Elemar. Percebo que na relação pai e filho, temos que dar exemplo, pois as crianças com dificuldade fazem o que mandamos, mas espelham o que fazemos. Dificil incentivar uma criança a ler se a gente não lê também. Isso nos força a melhorar.

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