O que considerar antes de adotar “Squads” em sua organização

Modismos vêm e vão. No passado, era comum empresas e consultorias alardearem a implantações capengas do sistema Toyota. Hoje em dia, é comum encontrarmos empresas e consultorias fazendo implantações capengas da cultura de engenharia do Spotify – especificamente de Squads.

O lamentável é que a maioria dessas implantações atentam apenas para ritos, rótulos e cerimônias (pelo menos, aquelas que não ofendem a cultura dominante). Poucas são as iniciativas baseadas nas motivações e nos princípios.

A essência da cultura de engenharia do Spotify, destacada em seu vídeo famoso de apresentação, está no equilíbrio entre Autonomia e Alinhamento. Entretanto, é muito importante que se perceba que, embora a ênfase em palestras e cases seja dada a autonomia, o desafio maior, como fica evidente na própria apresentação Spotify é garantir o alinamento.

Se não há alinhamento, ou temos feudos onde cada parte “puxa” em uma direção, ou temos iniciativas isoladas pouco eficientes onde bons resultados são produtos da sorte.

Tentar “implantar” Squads sem reforçar ações para garantir autonomia e, sobretudo, alinhamento, é como tentar adotar arquiteturas baseadas em microsserviços sem focar em desacoplamento (outro problema, infelizmente, percebido com frequência no mercado).

As chances de sucesso aumentam consideravelmente quando recorremos de forma deliberada aos princípios e motivações antes de adotar ritos, rótulos e cerimônias. Inclusive, não é raro que percebamos abordagens mais baratas, simples e aderentes quando não perdemos o foco do que é importante.

Garantir alinhamento é atribuição da boa liderança. Garantir autonomia é atribuição da boa gestão. No mais, o que temos são técnicas e ferramentas que, com certeza, sozinhas não conduzem ao sucesso.

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