Você “aparece” mais que seu trabalho?

Há algo muito errado quando, em ambiente corporativo, passamos mais tempo discutindo sobre alguém do que sobre suas contribuições.

NOTA: Regina Basso, autora desse post, tem larga experiência ajudando executivos de empresas, geralmemente grandes, nas tomadas de decisão e a encontrar e manter as pessoas certas para os lugares certos.

Nos últimos tempos, temos nos deparado com uma frustração recorrente: as pessoas estão tentando aparecer mais, nas organizações, do que o trabalho delas! Egos e vaidades estão consumindo tempo, dinheiro e, até mesmo, a imagem de empresas que estão padecendo com resultados pífios.

As empresas existem para atender um propósito e as pessoas que trabalham na empresa precisam estar comprometidas com ele. A obra que vale a pena precisa ser maior que seus autores.  Entretanto, parece que nunca se dedicou tão pouco tempo com temas menos relevantes, com nenhuma relação com o trabalho.

Em um mundo de aparências, tudo “aparenta” e “aparece”!  As pessoas “aparentam” fazer, ser, estar e ter. Entretanto, com poucas averiguações, constatamos que não têm, estão, são e, o pior de tudo, não estão fazendo. Seria apenas polêmico, se não fosse desonesto!

Em um mundo onde tudo é público publicado e editado, tudo é plataforma para a exposição sem limites. Entretanto, é percebido que perde-se tempo demais com postagens longas e tempo de menos com geracão efetiva de resultados.

É preciso recordar que profissionalismo implica em entregar valor, tangibilizar resultados, atender ao cliente (interno e externo) de forma mais qualificada. Times bons, bem liderados, atingem metas e tem um propósito comum maior que as individualidades.

Preste muita atenção ao que deve ganhar destaque e “aparecer”: Você ou seu trabalho?

A não ser que você seja um “influencer” de bens de consumo, formador de opinião ou seja lá o que for nesta ordem com a devida relevância, pense muito sobre o que deve aparecer.

É tempo de mais “atitudes reais”. Precisamos de mais empreendedorismo do que empreendedores de palco. Precisamos de mais gente comprometida do que de sorrisos mentirosos que tentam mostrar satisfação e pertencimento que, geralmente, não existem.

Em ambiente corporativo, ninguém é tão interessante para ter tanto print, foto e “tbt”! Já o trabalho, esse sim, deveria ser!

Com um pouco mais de foco no trabalho e ênfase nas entregas, haveriam menos sistemas de controle e acompanhamento. Estes, aliás, custam caros e são pouco eficientes (Lembre-se que alguém sempre paga a conta).

Por favor, tenhamos doses mais generosas de bom senso e reduções drásticas de nossa vaidade. Invista mais tempo naquilo que deve ser feito. Se o resultado for bom, você irá aparecer, porém pelos motivos certos.

5 Comentários
  1. Regina Maria Coelho Michelon

    Tema pertinente que precisa ser analisado.
    Muito bom.
    A empresa corre o risco de se diluir nas individualidades. Estou com um caso similar.

  2. Max Roberto

    Muito bom artigo e bem atual.
    Empresas se deterioram, perdem suas competências e passam a viver um ostracismo em função de egos e vaidade daqueles que estão mais preocupados com si mesmo só que com o resultado do negócio.

  3. Claudomir

    Ótima reflexão…, um grande desafio para as organizações

  4. Daiane Brustolin

    Excelente reflexão!

  5. Luis Oselame

    Regina, tema pertinente e desafiador.
    Hoje estava lendo sobre Psicopatas…
    O teu texto né fez relacionar os dois temas. Abraco

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