Cicatrizes

O dia em que percebi que já sou mais velho que meu pai

Hoje, dia 30 de agosto, meu filho mais velho, Gabriel, completa 19 anos. Ele hoje tem quase a idade que eu tinha quando descobri que seria pai dele.

Hoje, me dei conta que já sou mais velho do que meu pai. Pelo menos, mais velho do que ele era nas minhas primeiras lembranças com ele.

Sempre pensei no meu pai como alguém mais velho do que eu. Ele tinha 26 anos quando eu nasci. Pouco mais de trinta quando me atentei para a idade dele. Hoje, com 40 anos, sou mais velho do que meu pai, pelo menos na primeira vez que o chamei assim.

Sempre chamei meu pai de “velho”. Era uma forma carinhosa de reconhecer que ele tinha mais experiência do que eu. Meu pai sempre foi um exemplo pra mim. Mesmo, muitas vezes, sendo um exemplo do que não se fazer.

Perceber que já sou mais velho que meu pai, pelo menos do que ele era em muitas das experiências que tivemos, me faz pensar nele de outra forma. Julgo menos, entendo mais! Adoraria ter a oportunidade de sentar e conversar com ele sobre isso. Infelizmente, a vida e a morte resolveram conflitar e não podemos mais nos encontrar.

Amadurecer é perceber que todos passamos por todas as idades. O que foi grave ontem, muitas vezes não tem importância hoje. De certa forma, todos somos crianças ansiosas tentando fazer o certo em um mundo de coisas que nem sempre dão certo.

Em breve, meu filho Gabriel também será mais velho do que eu. Pelo menos, mais velho do que eu era quando ele me “conheceu” pai. Espero ter a oportundiade de conversar com ele sobre “minha versão mais nova”. Afinal, meu “eu mais novo”, assim como meu “velho”, fez coisas boas e ruins. O “Elemar de ontem” é parte do legado que meu filho recebe hoje.

As vezes, fica mais fácil admirar e respeitar se reconhecermos que ninguém nasce pronto. A jornada, no longo prazo, é sempre mais relevante que os resultados.

Elemar Júnior

Microsoft Regional Director e Microsoft MVP. Atua, há mais de duas décadas, desenvolvendo software e negócios digitais de classe mundial. Teve o privilégio de ajudar a mudar a forma como o Brasil vende, projeta e produz móveis através de software. Hoje, seus interesses técnicos são arquiteturas escaláveis. bancos de dados e ferramentas de integração. Além disso, é fascinado por estratégia e organizações exponenciais.

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1 comentário
  1. Luiz Estevam

    Excelente frase!!

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