Cynefin – A arte de resolver problemas óbvios, complicados e complexos, sobrevivendo ao caos

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Como “trabalhadores do conhecimento”, é nosso trabalho “resolver problemas”. Saber reconhecer a “natureza” de um problema ajuda a definir a estratégia mais efetiva para o resolver, maximizando o desempenho/resultado e minimizando o esforço/trabalho.

Os cinco domínios do framework Cynefin ajudam na classificação de problemas, direcionando abordagem para solução.

Cynefin

O framework Cynefin foi criado em 1999, por Dave Snowden, enquanto ele trabalhava na IBM, para ajudar a companhia a gerenciar seu capital intelectual. Cynefin foi descrito, em detalhes, mais tarde, em um paper.

A proposta central do framework Cynefin é classificar problemas em cinco domínios diferentes: 1) Óbvio/Simples; 2) Complicado; 3) Complexo; 4) Caótico e 5) Desordem

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O primeiro domínio, “Óbvio” ou “Simples”, é aquele ao qual pertencem os problemas que tem clara relação entre causa e efeito. Sabe-se, com relativa precisão, qual ação precisa ser realizada para atingir um determinado resultado. Problemas desse domínio podem ser corrigidos, evitados ou mitigados através da aplicação de melhores práticas. Além disso, quem os tratará precisa apenas de treinamento e capacidade analítica para detectar, categorizar e aplicar soluções.

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O segundo domínio, “Complicado”, é aquele ao qual pertencem os problemas que também tem relação clara entre causa e efeito, porém, geralmente, onde diferentes ações podem atingir um mesmo resultado. Problemas desse domínio são, geralmente, melhor resolvidos por pessoas com experiência, que conseguem julgar os prós e contras de diversas alternativas e escolher o que é mais adequado ao contexto.

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O terceiro domínio, “Complexo”, é aquele onde também é possível estabelecer relação de causa e efeito. Entretanto, apenas depois de aplicada uma ação. Esses são aqueles problemas que precisam de experimentação para serem resolvidos. Afinal, o número de variáveis é tão grande que impossibilita previsão 100% segura.

Nesse domínio encontra-se, por exemplo, o desenvolvimento de negócios. Afinal, é praticamente impossível determinar com antecedência se uma determinada oferta agradará, ou não, ao mercado.

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O quarto domínio, “Caótico”, é aquele onde não é possível determinar, com clareza, relações de causa e efeito, nem antes, nem depois de adotada uma ação. São problemas onde o número de variáveis é muito grande e é impossível de determinar. Problemas desse domínio costumam ocorrer em situações atípicas, geralmente associadas a circunstâncias críticas.

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Finalmente, quinto é último domínio, “Desordem”, é uma condição especial aplicada a problemas que não se encaixam em nenhum dos domínios anteriores.

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Categorias diferentes de problemas exigem abordagens diferentes para determinar uma solução.

A “mentalidade binária” empregada para resolver problemas “óbvios” geralmente conduz a paralisia por análise em cenários complexos. Afinal, cenários “óbvios” são resolvidos com conhecimento e “força bruta”, enquanto cenários “complexos” só podem ser resolvidos com “tentativa-aprendizado-e-erro”.

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Em uma empresa, problemas “complicados” são ideais para serem resolvidos com apoio de uma consultoria. Afinal, o conhecimento agregado com a experiência de terceiros tem potencial para reduzir os “custos de aprendizagem” dentro da organização. Por outro lado, o desenvolvimento de capacidade resolutiva de problemas “óbvios” é  mais barata com treinamento.

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Problemas “complexos” são resolvidos pela criação de “forças” no sistema que o induzem ao estado desejado.

Problemas “complicados” tem múltiplas soluções, cada uma com seus trade-offs. Somente a senioridade será capaz de optar dentre opções que nos fazem “ganhar por um lado e perder por outro”.

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Como já foi dito, desenvolver um novo negócio é, em essência, problema de domínio “complexo”. Enquanto isso, a prática de desenvolvimento de software é um misto de atividades dos domínios “complicado” e “óbvio”.

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A natureza do desenvolvimento de um negócio demanda experimentação. Logo, mudança de requisitos. Enquanto isso, o processo de desenvolvimento da oferta (um software, por exemplo) implica na resolução de problemas ordenados, “óbvios” ou “complicados”.

É a natureza complexa do negócio que é a responsável por não ser possível que metodologias “cascata” funcionem para o desenvolvimento de software. Metodologias ágeis são uma tentativa de facilitar experimentação durante o desenvolvimento de software, sem comprometer eficiência.

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Toda vez que tentamos resolver um problema “complexo” adotando abordagens dos domínios “complicado” ou “simples”, acabamos com uma solução simplória.

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Reconhecendo o domínio de um problema, precisamos aplicar abordagem compatível. Temos de aceitar que não dá para encontrar soluções de maneira determinística para problemas complexos – fazer isso, nos induz ao erro. Também temos que entender que “tentativa e erro” é uma abordagem cara demais quando é possível determinar relações de causa e efeito antes de qualquer ação.

Elemar Júnior

Microsoft Regional Director e Microsoft MVP. Atua, há mais de duas décadas, desenvolvendo software e negócios digitais de classe mundial. Teve o privilégio de ajudar a mudar a forma como o Brasil vende, projeta e produz móveis através de software. Hoje, seus interesses técnicos são arquiteturas escaláveis. bancos de dados e ferramentas de integração. Além disso, é fascinado por estratégia e organizações exponenciais.

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