As três atribuições fundamentais da boa gestão

Sempre que somos questionados sobre as atribuições da boa gestão, apontamos três responsabilidades fundamentais:

  1. Garantir que há um método de trabalho definido;
  2. Garantir que o método definido está sendo praticado;
  3. Garantir que há pessoas qualificadas para seguir o método.

Há bem mais responsabilidades que um gestor pode assumir. Entretanto, essas três são imprescindíveis.

Definição de um método

Empresas consolidadas “entregam” de forma consistente, buscando eficiência operacional, sem comprometer sua oferta. Ou seja, são consistentes e obcecadas pela redução dos custos.

A boa gestão, em empresas consolidadas, é caracterizada pela previsibilidade e pelo planejamento.

Startups operam em regime de incerteza. Por isso, tentam definir e estabilizar seus modelos de negócios da forma mais ágil e rápida possível. Ou seja, validando hipóteses, falhando e aprendendo rápido.

Para cumprir seus objetivos, tanto empresas consolidadas quanto startups precisam de método.

Empresas que operam sem método podem até ter ótimas iniciativas, mas são péssimas com “acabativas”. Com o tempo, convertem-se em cemitérios de boas ideias, que tem mortandade aumentada na medida em que o turn over aumenta.

Empresas consolidadas que discursam o desejo de ter um “espírito de startup”, geralmente estão buscando novos impulsos de crescimento. Caso contrário, o “espírito de startup” é apenas expressão de incompetência ou ignorância de seus gestores.

Empresas que não tem método praticam o que chamamos de “gestão por soluço”. Ou seja, tem objetivos móveis, difíceis de atingir ou aquém do potencial, e tem suas salas de reunião sempre “reservadas”.

Concordamos com o professor Falconi que diz que empresas que fazem “reunião demais” não sabem onde querem chegar.

O gestor garante que há um método definido. Caso contrário, não é gestor de verdade, mas sim uma referência operacional, possivelmente bem intencionada, mas tremendamente incompetente.

Execução do método

Pouco adianta haver um método definido se ele não é seguido. As melhores empresas brilham, exatamente, na execução.

Métodos bem definidos produzem indicadores de forma consistente que mostram a qualidade da execução.

Não há Kanban sem mensuração de lead-time e cycle-time. Não há Scrum sem burndown. 

Fazer gestão de um negócio, em um mercado competitivo, sem indicadores é o mesmo que comandar uma aeronave, na tempestade, sem instrumentos. A sobrevivência é mais por sorte do que por mérito.

A boa gestão garante que o método definido está sendo executado e observa a eficiência através de indicadores bem definidos.

Treinar as pessoas

Empresas, sobretudo as de capital intelectual, dependem de gente boa, que sabe fazer o trabalho, executando o método. Para isso, elas precisam ser treinadas.

É inútil ter método definido e indicadores verificáveis se o time não sabe fazer o que precisa ser  feito.

Consistência demanda repetição.

A gestão que não dedica tempo para garantir que as pessoas tenham bom treinamento é condenada a gerenciar desvios de resultado.

A essência do bom treinamento é deixar claro, segundo o método, o que é esperado e permitido, além do que é indesejado e inaceitável.

Concluindo

Gestores que não garantem a definição de um método, execução em conformidade e time treinado ficam amarrados ao microgerenciamento. São eles mesmos “vítimas” da má gestão que não os qualificou.

Elemar Júnior

Microsoft Regional Director e Microsoft MVP. Atua, há mais de duas décadas, desenvolvendo software e negócios digitais de classe mundial. Teve o privilégio de ajudar a mudar a forma como o Brasil vende, projeta e produz móveis através de software. Hoje, seus interesses técnicos são arquiteturas escaláveis. bancos de dados e ferramentas de integração. Além disso, é fascinado por estratégia e organizações exponenciais.

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