Os parâmetros para produtividade foram redefinidos

Acreditamos que a célebre história infantil que narra a corrida entre uma lebre e uma tartaruga deveria  ganhar uma nova versão. Nela, a lebre levaria a competição a sério e completaria o percurso antes mesmo da adorável tartaruga começar a se mover. Talvez assim, sejamos mais eficazes em orientar as novas gerações sobre a urgência de redefinirmos nossos parâmetros de produtividade. 

A China assombrou o mundo, recentemente, mostrando que é possível construir hospitais enormes em pouco mais de 10 dias. Não bastando isso, para os mais céticos, o país já coleciona arranha-céus construídos em menos de um mês. Bem antes disso, em 2016, o Japão havia “fechado um buraco gigante” em uma rua movimentada em apenas 48 horas.

O valuation da Ant Financial Services Group, orignalmente Alipay, que atua no setor financeiro há pouco mais de cinco anos, já é 50% da bicentenária e bem-sucedida JP Morgan Chase. De forma semelhante, a jovem Tesla já tem valuation superior Volkswagen e, mais que isso, maior que Ford e GM juntas.

No Brasil, as TVs por assinatura registraram retração de quase 10% em 2019 devido a competição com os serviços de streaming. A milionária e tradicional cobertura do Oscar na TV aberta foi patética quando comparada a feita pelos canais do Youtube (com fração do orçamento).

AirBnB, recentemente, atingiu valuation superior as cinco maiores redes de hotéis do mundo juntas. Nubank vale U$ 10 bilhões.

Empresas modernas, nascidas em era digital, que atingiram representatividade em poucos anos, estão “assombrando” empresas tradicionais com projetos de integração com prazos minúsculos e escopos gigantes. O curioso é que muitos projetos das empresas tradicionais tem orçamento inicial superior e prazos maiores que o investimento e tempo de vida das startups – a diferença é o resultado.

No trade-off entre a “velocidade da lebre” e a “persistência consistente da tartaruga”, o mundo dos negócios exponenciais parece estar resoluto em não abrir mão de nada! Tartarugas letárgicas tem futuro preocupante. 

1 comentário
  1. DANIEL MOREIRA YOKOYAMA

    “Talvez assim, sejamos mais eficazes em orientar as novas gerações sobre a urgência de redefinirmos nossos parâmetros de produtividade.”

    Mas, inclusive de acordo com o próprio texto (e com os fatos que ele usa como referência) será que não podemos concluir que as novas gerações *já redefiniram* (e continuam redefinindo) os parâmetros de urgência, e que, talvez, sejam as empresas tradicionais que precisam ser orientadas a respeito das definições que já estão sendo usadas pelas empresas modernas?

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