Desafios da moderna gestão de TI

Qual o “custo por linha modificada” em sua organização?

Robert “Uncle Bob” Martin, desenvolvedor veterano com mais de 50 anos de experiência, abre um de seus livros analisando um problema que, segundo ele, assola a maior parte das organizações que desenvolvem software: o aumento exponencial do “custo por linha modificada”, ao longo do tempo, nas bases de código.

Robert Martin utiliza o número de linhas de código alteradas como um proxy para métrica de atividade e entrega de um time. É fato que essa métrica não é, de maneira alguma, precisa, mas geralmente é suficiente.

Em termos simples, Robert Martin argumenta que o crescimento dos times de desenvolvimento ou maior senioridade geralmente, em certo ponto, deixam de impactar o volume de entregas.

A razão, defendida por “Uncle Bob”, é que, com o tempo, menos atenção é dada para estrutura e arquitetura do software e a “limpeza” do código. Geralmente, a justificativa é a pressão por entregas de features para o negócio em prazos, no mínimo, desafiadores.

Do ponto de vista dos times técnicos, essa “perda de produtividade” colabora para a queda da motivação. Afinal, raramente significa que o time esteja trabalhando com menos empenho.

Do ponto de vista dos executivos de uma organização a questão não é, de forma alguma mais animadora. Na prática, mais dinheiro está sendo gasto para gerar menos benefícios e não costuma demorar muito tempo para que os impactos sejam sentidos na competitividade.

A provocação de Robert Martin é de que há uma falsa ideia instalada de que código “bagunçado” é mais rápido de escrever do que aquele que é bem escrito.

The only way to go faster, is to go well.

Robert “Uncle Bob” Martin

Não temos registros temporais relacionando o volume de investimento em equipes de TI e o volume de entregas. Entretanto, empiricamente, a constatação de Robert Martin parece assustadoramente correta.

A cultura do improviso, da entrega rápida, da falta de cuidado e do desleixo sempre custa caro. Além disso, o problema tende a se agravar com o tempo.

Recomendamos fortemente que as organizações recuperem as informações relacionadas aos investimentos nos times de TI e com relação ao volume de linhas modificadas ao longo do tempo. Mais do que isso, que estabeleçam o “custo por linha modificada” como indicador a ser acompanhado. Este parece ser um indicador mais do que efetivo para constatar o “desgaste” das bases de código.

Esperança é uma péssima estratégia.

Em Resumo
  • O problema

    Não raro, os investimentos nos times de TI crescem em ritmo muito mais acelerado do que o volume das entregas, evidenciando queda na produtividade.
  • O insight

    Recomendamos medir e buscar otimizar o indicador "custo por linha modificada" nas bases de código. Indiretamente, otimizar esse indicador melhora também a manutenabilidade.

Elemar Júnior

Microsoft Regional Director e Microsoft MVP. Atua, há mais de duas décadas, desenvolvendo software e negócios digitais de classe mundial. Teve o privilégio de ajudar a mudar a forma como o Brasil vende, projeta e produz móveis através de software. Hoje, seus interesses técnicos são arquiteturas escaláveis. bancos de dados e ferramentas de integração. Além disso, é fascinado por estratégia e organizações exponenciais.

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